quarta-feira, 7 de junho de 2017



Afinal, o que é o sucesso?

Penso que cinco frases geniais acerca do sucesso podem nos ajudar a refletir sobre:  
1)    “O sucesso é um professor perverso. Ele seduz as pessoas inteligentes e as faz pensar que jamais vão cair”. Bill Gates
2)    “A confiança em si mesmo é o primeiro segredo do sucesso”. Ralph Waldo Emerson
3)    “O sucesso é uma viagem, não um ponto de destino”. Ben Sweetland
4)    “O fracasso e o sucesso são impostores. Ninguém fracassa tanto como imagina. Ninguém tem tanto sucesso como imagina”. Rudyard Kipling
5)    “Perseguir, sem cessar, uma meta: Este é o segredo do sucesso”. Anna Pavlova 

Portanto, o sucesso é um objetivo conquistado.
É a meta alcançada.
É a realização de um sonho.
É o alcance, portanto, de um desejo.
É a satisfação plena.
O sucesso exige certos requisitos básicos: dedicação, autoestima, autoconfiança e segurança, entre outros.
O que se espera de um grande escritor? Como afirma o renomado escritor Stephen King, espera-se muita leitura e muita escrita. Domínio dos fundamentos da língua (vocabulário, gramática, elementos de estilo). Espera-se disciplina e inspiração. Espera-se que ele tenha um estilo próprio. Escrever exige estilo e graça. O estilo está tanto sob as palavras, como dentro delas. É, ao mesmo tempo, a alma e a carne de uma obra.
O que se espera de um grande artista? Propor o novo? Criar um movimento? Criatividade? Engenhosidade? Técnica? Acredito que seja um mix de tudo isso.
Nós descobrimos neste mundo que o sucesso começa pela intenção da gente e tudo se determina pelo nosso espírito. A luta pela vida nem sempre é vantajosa aos fortes, tampouco aos espertos. Mais cedo ou mais tarde, quem cativa a vitória é aquele que crê plenamente!


José Renato Ferraz da Silveira 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Paciência

A paciência é o ato de respirar fundo à beira do evidente abismo, a filosófica tomada de fôlego: é o fio da voz da razão, que permanece audível e nos guia em meio ao ruído.
A etimologia, como sempre, ajuda a decifrar os meandros filosóficos: paciência vem do latim patere, suportar ou sofrer. É a arte de suportar tristezas sem perder a compostura.
Até certo ponto, a paciência é uma espécie de tiro no escuro cósmico: uma aposta metafísica na existência de um sentido final para as dores do mundo.

Lições do dia

Lições do dia
Dez coisas para evitar
1) nunca deixe sua voz interior colocar você para baixo
2) não se deprecie na frente dos outros
3) tente não suspeitar dos outros sem uma boa razão
4) não julgue os outros tão depressa
5) evite se permitir autopiedade
6) nunca se esqueça de que sempre haverá muita gente melhor e pior do que você
7) não se negue prazeres e recompensas
8) não deixe o medo ficar no seu caminho
9) não se esconda atrás de barreiras emocionais
10) não seja um idiota

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Anjos





Nesses últimos dias, nessas semanas, nesses meses, nesse ano ano de 2015 conheci anjos. Pessoas especiais. Pessoas extraordinárias. Pessoas incríveis. Pessoas que merecem meu carinho, afeto, respeito e meu amor. São seres humanos que marcam e marcarão a minha vida. Eles são parte da plenitude de Deus que vivencio em meu cotidiano. Da grande fonte de energia. Errei com alguns e que me perdoem.
A luz divina alcançou e alcança esses seres majestosos que nutrem meu viver de júbilo e de inspiração. Obrigado meu Deus!!!
Ah! Quando busco nas lembranças do passado, tive inúmeros anjos em minha trajetória terrena até o presente momento.
A minha mãe. O meu pai. Os meus irmãos. Amigos de infância. Poucas namoradas e ficantes. Alguns alunos e alunas que se tornaram meus amigos.
E pessoas que surgiram de repente, não mais que de repente, e que moram dentro de minha memória e meu coração que palpita de emoção e alegria. Um coração que transborda amor. Um coração que deseja paz e serenidade.
Lágrimas surgem em meu rosto quando a imagem desses anjos aparecem diante de mim. Essas lágrimas lavam minha alma e eu me regozijo para o futuro que se descortina.
Cada vez mais ao viver com esses anjos que agraciam o meu viver, eu entendo perfeitamente o valor da vida, da verdadeira vida diante desses "anjos caídos" que acalentam a minha alma.
Defender a vida humana e de qualquer ser vivo deve ser uma missão existencial da espécie humana. Hoje vivo um drama. Uma encruzilhada. Essa madrugada estou em Getsêmani.
Estou inclinado a me tornar vegetariano. Porque desejo ser coerente com a única bandeira que defendo: a dos animais. Seres indefesos que merecem nossa dedicação: seres angelicais, puros e amorosos. Meus anjos de duas e quatro patas. Anjos sempre presentes no meu viver. Lembranças inesquecíveis. Gatos. Cachorros e pássaros. Entre outros animais. Meus amores eternos. Meus anjos.

Amor, poesia e cozinhar




Cozinhar é um dom. Não é simplesmente seguir a receita. Muito depende da inspiração e muitas vezes o que tem na geladeira. Há algo mágico no ato de cozinhar. É uma espécie delicada de feitiçaria. Está presente a criatividade e o prazer. Cozinhar nos situa num lugar muito particular. São momentos sublimes, de êxtase e genialidade. De fato, "carrega uma força emocional ou psicológica do qual não podemos ou queremos nos livrar". Cozinhar é um ato de amor. Se o amor é o ápice mais perfeito da loucura e da sabedoria, cozinhar é uma forma poética de juntar elementos genuinamente diferentes e torná-los agradáveis. Cozinhar faz parte da poesia da vida.
Cozinhar abre perspectivas e novos horizontes. Porque vamos aprendendo sobre os ingredientes, logo queremos saber a procedência (o produtor), como as coisas são feitas, sua trajetória.
E é um momento festivo e nostálgico a hora de comer. As conversas, os olhares, o silêncio e o barulho dos talheres. Quando estou na presença de minha família e de pessoas especiais, sinto a presença de Deus. É um raro momento de epifania.
Para Michael Pollan, cozinhar é uma das atividades mais interessantes e recompensadoras que podemos fazer. Dizem que escritora Agatha Christie fazia da cozinha seu refúgio predileto. Quando seu pai morreu, em 1901, ela estava com 11 anos. Em vez de ir ao funeral, preferiu passar o dia entre pratos e fogões. Certa vez, a autora admitiu que os melhores momentos para inventar uma história eram aqueles passados ao fogão, que cozinhar e escrever eram ofícios muito parecidos.
No meu caso, desde criança acompanhei minha mãe na cozinha. Era um misto de curiosidade e desejo de aprender, o verdadeiro complexo de Prometeu. Como um aluno aplicado, tentei seguir os passos dela e superá-la. Não fui bem sucedido no preparo dos doces. Mas aprendi e aprendo muito com ela no preparo de pratos salgados. Aprendi a culinária francesa, italiana, espanhola, portuguesa, brasileira, entre outras. Há muito ainda a aprender.
O ato de cozinhar é um eterno aprendizado. Dissolve angústias, orienta uma decisão, ajuda a construir saídas no labirinto criativo. "Cozinhar é a única coisa que, enquanto eu faço, sinto poder confiar inteiramente. Quando monto um prato, minha mente se esvazia por completo. Tudo se baseia no sentimento". É um momento doce, salgado, picante de amor e poesia.

Agosto



Dia 14 de agosto de 2015. Ouço Barão Vermelho e, num instante, recupero lembranças ao ouvir a voz melódica e potente de Cazuza.
Um ano se passou. Ainda lembro do olhar, do abraço, do sorriso e do beijo. Ainda guardo você dentro de mim.
Hoje vivemos em nossos recomeços. Longe um do outro. A vida deve seguir.
Ano passado, triste e lamentando o fim de um ciclo que acreditava ser longo, alimentei a supertisção que o mês de agosto produz dissabores. Na realidade, não é Agosto que torna o mundo negativo e perverso. É o egoísmo. É a ingratidão. É a injustiça. São comportamentos nocivos ao próximo que tornam o mundo mais sombrio.
Há uma história romana que o Imperador Augusto impôs que o mês em homenagem ao seu nome não poderia ter menos dias que o anterior, dedicado a Julio César. E dessa forma julho e agosto, apesar de serem meses sequenciais, acabaram, ambos, tendo 31 dias cada um. Li que isso é uma teoria falsa e foi inventada por Sacrobosco no século XIII. Interessante que agosto era chamado de Sextilis ou Sextil.
A mente humana quando se congrega coletivamente em torno de supertisções, se torna capaz de precipitar eventos ruins. Como afirma Oscar Quiroga, a humanidade continua entusiasmando-se com muita facilidade diante de perspectivas sinistras.
Eu acredito num mundo de energias polarizadas: positivas e negativas. Se sentimos raiva, como um grão de semente, ela brota como uma zona de energia que arde e nos faz sofrer. Se sentimos raiva por mais tempo, novas sementes de raiva serão produzidas e semeadas no solo do nosso inconsciente.
O mesmo ocorre com as energias positivas. O sorriso e a alegria contagiam. O gostoso é sempre cultivar as sementes do sorriso e da alegria. Pois elas tornam nosso mundo mais feliz e harmônico.
E assim, creio que Agosto é um mês como outro qualquer. É necessário cultivar sementes saudáveis, revigorantes, salutares, criativas, em nosso cotidiano, que tornarão nossa vida mais saborosa e divertida. É o que eu acredito.

Nosso lar e a alma em ordem



Dizem que, se precisamos mudar alguma coisa na vida, um bom começo é trocar os móveis de lugar. Dessa forma lúdica, entramos em contato com as nossas próprias emoções e damos início a uma arrumação que atua de fora para dentro.
Arrumar a casa é uma forma de fortalecer seu poder de decisão.
Acabar com a bagunça parece ser uma tarefa intuitiva. A ideia de organizar, hoje em dia, tem mais a ver com o descartar ou a escolha consciente do que merece ficar. Uma forma inteligente de selecionar, é fazer a pergunta: "Esse item realmente traz felicidade para o meu atual momento?
Organizar as coisas exige prioridade. Organizar dá início a uma conversa com a gente mesmo. Fazemos um inventário do que realmente gostamos e chegamos ao entendimento de quem somos e do que queremos ser. Ao colocar ordem no "caos" , você olha para o passado (objeto antigo) e para o futuro (o que vai continuar usando). Tal processo ajuda a elaborar as emoções.
Uma dica que li para iniciar o processo de organização é começar por aquilo que se pode usar (roupas e acessórios), seguir para o que tem valor informativo (livros, recibo) e, por último, encarar os do setor emocional (fotos, presentes).
Esse ano, já doei roupas, mesa, objetos, revistas, fiz sorteios de livros, organizei minha coleção de CDs e DVDs. Fiquei surpreso, agora pouco, ao tomar conhecimento de que tenho 453 CDs e 115 DVDs. E percebi que tenho DVDs repetidos. Hora de descartar. Livrar-se de algo não é uma tarefa fácil. Creio que adotar uma relação positiva em relação a eles. Agradecer a cada objeto pelo importante papel desempenhado em nossa vida e permitir que ele vá. Quando agradecemos os objetos, valorizamos o que temos. Eles duram mais e tendem a ser guardados com carinho nos lugares certos. Isso economiza dinheiro e tempo.
Conclusão que cheguei, ao manter a ordem, eu enxergo que tenho muito mais do que imagino - e, provavelmente, do que preciso. E a harmonia em nosso lar não depende da quantidade de coisas, mas do quanto alegra os meus olhos.

sábado, 27 de dezembro de 2014

INTERVENÇÃO OU INTIMAÇÃO DIVINA

INTERVENÇÃO OU INTIMAÇÃO DIVINA

            Gente, fui aprovado!
            Foi aos berros que entrei na cozinha naquela manhã para noticiar a minha entrada como docente em uma Universidade Federal no sul do país. Infelizmente a tática de esperar na cama e aguardar que todos estivessem reunidos para o desjejum dera em nada. No local, junto a pia, encontrava-se apenas minha mãe. Ela cantarolava baixinho.
            Diacho, onde está todo mundo, pensei irritado comigo mesmo por não ter esperado mais um pouco na cama.
Mamãe não disse nada ante minha chegada intempestiva.  Apenas se virou lentamente e fixou os olhos em mim enquanto enxugava, torcia e retorcia as mãos no avental.  Em silêncio. Em choque. Em transe.
 Fiquei incomodado com a reação dela.  Eu que esperava gritos, sorrisos, beijos e abraços, muitos abraços murchei como uma uva passa. Que me importava que o pessoal da casa estivesse dormindo às 11 horas da manhã?  Diante de mim, a principal incentivadora da minha vida profissional estava calada. Nenhum afago. Nenhum sorriso. Nenhuma lágrima. Fiquei incomodado com a reação dela.  Bah, mas quem entende as mulheres?   Ou melhor, quem compreende as mães? Pois naquele exato instante estava eu diante de uma completa estranha. À minha frente estava uma mulher morena, pequena e baixa de olhar sereno e lábios cerrados me olhando. E eu olhando para ela.  Senti que algo ou alguém havia usurpado o corpo daquela que me concebera. Não reconhecia nela aquela mulher guerreira que durante anos me motivara, auxiliara e sacrificara tantas e tantas vezes. Balancei a cabeça atarantado. E veio à mente a conhecida história familiar. Em meados dos anos 78, após conclusão de um curso de especialização no Rio de Janeiro, meu pai cuja alma gaúcha não esconde de ninguém, teve oportunidade de escolha para ser transferido para Santa Maria. Acontece que a senhora gravidíssima do filho que agora escreve não aceitou de jeito nenhum. “Frio, muito frio”. Pelo estado delicado que ela se achava, meio a contragosto, papai buscou satisfazê-la. Arriscou seu futuro. Como era de se esperar, infelizmente, as coisas não deram muito certo na região escolhida. Exatos cinco anos estavam de volta ao interior de São Paulo. Papai nunca se conformou com a infame trajetória.         
            E agora, me encontrava quase na mesma situação. Querem saber, estava encrencado. Por bons motivos. Existe algo pior que não realizar seus sonhos? Antes mesmo de o resultado do concurso público sair eu já sonhava com os lírios dos campos de Veríssimo. Vagava entre as imagens de Vargas, Brizola, Anita Garibaldi e tantos outros guardiães e gáudios da alma gaúcha e brasileira. Via-me nos braços amorosos de uma gentil prenda. Ensaiava uns passos ligeiros do xote, do fandango ao som de um vanerão.  Nas festivas estâncias fazia par com Pantagruel ao me empanturrar de churrasco, vinho e mate.
Mas cá entre nós existe algo pior que desapontar uma mãe? Senhor, não, não podia. Ainda mais a minha tão sensitiva. Meio bruxa, costumávamos eu e meus irmãos falar.   Ninguém conseguia esconder nada dela.  Aproximei-me dela e disse:
- Mamãe, sou um grande idiota. Desculpe-me se a assustei!           
            Ela passou os braços na minha cintura e apertou. Então as lágrimas hibernadas irromperam e deslizaram pelo rosto. Choramos juntos. Antes de a avalanche passar ficamos cercados pelos dorminhocos.
            - O que está acontecendo? Por que mamãe está chorando? O que você fez?
            - Nada! Juro.
            Mamãe com um simples olhar acabou com o alvoroço. E sem largar meu braço disse num tom sério:
            - Ele irá nos deixar.
            - Eu não-não decidi nada ainda, mãe!
             - Ele passou no concurso da UFSM! - bradou minha irmã mais velha num tom exultante.   
            - Tchi! – resmungou meu pai e acrescentou num tom irônico: Sua mãe não vai deixar você ir por causa do frio, da distância e sabe-se-lá os motivos que lhe derem na telha. Eu já aconteço essa história de outros tempos.
            Ela não se abalou. E falou mais ou menos assim:
            - Aí que você se engana meu velho. Ele foi intimado.
            - Intimado? Por quem?
            Mamãe suspirou profundamente. E meus olhos ainda úmidos presenciaram algo inimaginável. Estava do lado de uma giganta. Uma mulher corajosa, otimista, cheia de fé e virtudes. Senti aos trinta anos e com 1,90 de altura um ser pequenino diante dela e de suas palavras:
            - Não esmoreça diante dos sacrifícios, desafios e dificuldades que hão de estar pelos caminhos que irá percorrer. Você estará longe de sua família, amigos e conhecidos apenas fisicamente. Espiritualmente, estaremos sempre ao seu lado. Há um projeto reservado para você. Cumpra com dedicação, solidariedade e amor. Ensine e aprenda. Aprenda e ensine.  Essa noite em sonho Nossa Senhora anunciou sua vitória, meu filho.  Também me disse que eu seria a primeira pessoa que receberia a notícia. Acho que por isso todos dormiram tanto, não é verdade? Vamos cumprimentem seu irmão.
            Enquanto era parabenizado, não tirei os olhos dela. Mas quem pode entender as mulheres? E o coração de mãe? Confesso que as batidas de meu coração estrondeavam dentro do peito. Eu sabia que tudo iria dar certo. E tem dado, graças a Deus.   


José Renato Ferraz da Silveira  

Vida

Vida

Vida....é assim que a chamo.
Vida...foi o alimento da minha alma.
 Recordo da Vida...  quando fecho meus olhos: relembro dos longos abraços, das conversas e risos, das viagens e de cada gesto de carinho e ternura através de um poema ou um post it, ou mesmo através de um sorriso ou um olhar iluminado. Aquela piscadela mortal. Ou mesmo do beijo de despertar.
Carrego na memória: as lembranças dos beijos doces, as canções, aqueles olhos verdes fitando-me. Momentos felizes e o prazer desmedido.
Revejo as fotos, as promessas de amor eterno, sinto o gosto do ratatouille, entre outros apetitosos pratos da culinária ocidental em cada viagem ao passado. Cada música em homenagem ao gato preferido.
Ah, e as gargalhadas!!! Cada alegria...Cada momento inesquecível. Eterno para mim. O cheiro do cravo que gostava de presentear. O amor eterno.
Mas vivo agora num novo ciclo no qual enfrento crises internas.
O novo se descortina para mim. Tenho medo. Tenho curiosidade.
E esse novo mundo me traz a citação de Dickens: “Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; aquela foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez, foi a época da crença, foi a época da descrença, foi a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero; tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante de nós, íamos todos direto para o Paraíso, íamos todos direto no sentido contrário”.
E não esqueço os riscos, as incertezas, as contradições. Eles estão na minha vida. Sei que os tempos de resistência vão continuar. Sei que é preciso constantemente recomeçar do zero, que tudo se esquece. Às vezes, tento rir desses momentos. Sei que a um conformismo se sucederá outro, que uma alegria será consumida por outra alegria.
Novas aventuras são desconhecidas. Não há terra prometida. Há um futuro incerto e estarei sempre cercado de mistério. O sentimento de caminhar entre as trevas e a luz. Mas contemplo um horizonte... Como diria a minha amiga Yasmine: “Constantemente recomeçar, afinal a imutabilidade é a morte”!


Perder as palavras

Perder as palavras

A vida é uma jornada de nascimento à morte, uma caminhada ao mesmo tempo externa e interna, pelo período que nos couber. Como diria Cecília Meireles, “entre mim e mim, há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos”.
Mas, há momentos em nossa existência, em que os desejos mais agudos e que nos angustiam são silenciados diante do belo.
A contemplação do belo é realmente um verdadeiro aproximar-se da luz divina e um afastar-se das trevas. É um momento mágico e de sublime deleite aos olhos, o espelho da alma. Sinto-me tão frágil, tão inexistente, mas ao mesmo tão ardente e sedento por contemplá-la novamente.
 Encontrei a perfeita definição, na obra Confissões de Santo Agostinho (354-430), em trecho que trata a respeito da relação dicotômica entre luz-sabedoria – trevas-ignorância: “(...) que luz é esta que me ilumina de quando em quando e me fere o coração, sem o lesar? Horrorizo-me e inflamo-me: horrorizo-me enquanto sou diferente dela, inflamo-me enquanto sou semelhante a ela. É a Sabedoria, a própria Sabedoria que bruxuleia em mim e rasga a minha nuvem. Esta me encobre de novo quando desanimo por causa da escuridão e do peso das minhas misérias(...)”.
Para mim, a beleza feminina é um toque majestoso do Criador. Como diria meu pai: “Se o criador estabeleceu as regras da natureza para a criação do universo.  Num momento de divina inspiração, na criação da terra e de seus habitantes. Inovou numa equação, onde incluiu as variáveis: o dedo mágico do pintor, os olhos de lince do fotógrafo, mas com uma visão tão abrangente como  a do sol; a sensibilidade da psicóloga, a sutil mão do  escultor, a extravagante criatividade do arquiteto, o refinado capricho da decoradora, a inefável beleza do próprio paraíso”.


Tenha fé

Tenha fé

Há momentos cruciais na vida, em que nos sentimos aflitos, a sensação de nó na garganta e caímos no mais profundo desânimo. Parece que as forças se esgotam e não há meios de confrontar com a realidade posta. É a face da vida marcada pelas contradições. Tão cheia de paradoxos.

Nesses momentos delicados e de indefinições, relembro, então, das belas estórias advindas da tradição oriental, em especial, a japonesa, que alude à flor de ameixeira que surge, perfumada, rompendo a neve no rigor do inverno. Ou as sementes de trigo que não perdem a capacidade de se reproduzir, por mais que sejam pisoteadas.
Mas como manter um espírito de paz se o coração agitado ou irado sufoca a centelha da persistência e da fé? A fé, sem dúvida, acresce uma dimensão significativa à vida moral da humanidade. Como cristão apostólico romano, eu percebo a fé como uma força poderosa na experiência humana. Principalmente, as orações que nos iluminam e nos fazem entrar em contato com o Desconhecido. É um sentimento permanente. Uma epifania. O encontro com Deus.
Muitas vezes, quando estou deitado e absorto pela tristeza, as orações servem como estímulo na busca do amor, da alegria, da paz interior, da paciência, da bondade, da generosidade, da confiança, da gentileza e principalmente do autocontrole.
Ultimamente estou cada vez mais dedicado à meditação. Meditar virou rotina no meu cotidiano. Alivia o coração e a alma. As angústias, as aflições, os temores diminuem gradativamente à medida que o corpo e a mente relaxa. Muitas vezes percebo que as razões de minha tristeza não se justificam. E sinto que é fundamental ter fé e esperança em dias melhores. Como li certa vez, as orações ou o ato meditar são uma maneira de inundar o corpo de luz e de entrar em contato com nosso eu mais profundo. Esse momento de mergulho em nós mesmos, reconhecemos nossa humanidade, nossos limites, imperfeições e sombras

Três mosqueteiros

Três mosqueteiros

Os Três Mosqueteiros é um fantástico romance histórico escrito pelo francês Alexandre Dumas. É o volume inicial de uma trilogia, romanceando fatos importantes dos reinados dos reis Luís XIII e Luís XIV e da Regência que se instaurou na França entre os dois governos.
O livro trata de sentimentos nobres, virtudes, aos homens que serviam aos reis franceses. E de uma forma pontual, revela a força da amizade, do amor entre os amigos, da solidariedade com outro. Amizade é mais que afinidade e envolve mais que afeição. As exigências da amizade – franqueza, sinceridade, aceitar com a mesma seriedade as críticas e os elogios do amigo, lealdade incondicional.
A lealdade é a marca da constância, da solidez dos elos com as pessoas, grupos, instituições e ideais que deliberadamente nos associamos. Recebi em minha noite festiva, no dia 24 de novembro de 2013, o discurso de reconhecimento da lealdade. Lágrimas e mais lágrimas derramaram sobre o meu rosto fatigado por lutas e confrontos diários contra os meus desejos de sucesso.
Naquele momento em que Renan John Brum expressava o carinho e demonstrava ciência do esforço hercúleo de meu trabalho, tive certeza que fiz o necessário para contribuir e fazer a diferença. Palpitações no coração e lágrimas nos olhos brindavam divinamente o amor eterno entre os amigos. Hoje, reconheço que a amizade genuína requer tempo, esforço e trabalho para ser mantida. A amizade é algo profundo. De fato, é uma forma de amor. Shakespeare expressa dignamente esse sentimento divino ao expressar em seu soneto 30: “mas, amigo, se em ti penso um momento, vão-se as penas e acaba o sofrimento”.


José Renato Ferraz da Silveira

A paixão de escrever

A paixão de escrever

Escrever é uma vocação imperiosa e nem todo mundo tem vocação.
Li, certa vez, que o grande escritor francês Victor Hugo queria ser Chateaubriand ou nada. Um escritor nato escreve porque tem alguma coisa para dizer e só pode dizê-lo escrevendo. 
Creio que a vontade, o sentimento, a alegria ou a tristeza faz a brancura da página desaparecer. Escrever apesar dos fracassos e das críticas hostis é algo que me atrai. Na realidade, ainda carrego a ilusão e o sentimento de libertação e de trunfo, por uma frase perfeita, caracterizar um objeto, um sentimento, narrar com brilhantismo os feitos heroicos de personagens históricos.
Todo o livro começa com uma página em branco. Cabe ao autor preencher o vazio com conhecimento e imaginação. Há de se ter perseverança - a escrita requer atributos técnicos e maturidade emocional para compreender o ser humano, incluindo o que escreve. Para o cronista e escritor Antonio Prata, não é a página em branco o que mais aflige, mas o preto das letrinhas inseguras que começam a preenchê-la. A despeito das dificuldades, escrever um romance é um sonho compartilhado por muita gente. Porque é uma tentativa de posteridade, uma trapaça contra a solidão e a morte, um jeito de sobreviver à privacidade da própria imaginação e à vida em si.
Escrever é uma religião. Une as pessoas de uma maneira que não pode ser alcançada por outros meios. Escrever exige cuidados e trabalhos incríveis. Quantos arrependimentos! Quantas correções em espiral que mutilam o texto na versão inicial.
Mas é um verdadeiro êxtase em que, numa noite, escrevemos trinta, vinte, dez páginas. Esse momento de criação feliz é cheio de esperança. Sonhamos com um texto bem acabado, bem apresentado, profundo e vibrante. Como diz Baudelaire, “manejar sabiamente uma linguagem é praticar uma espécie de feitiçaria evocatória”. Escrever exige estilo e graça. Li que em David Copperfield - o escritor Charles Dickens - descreve um homem tão alto que as pernas compridas davam a impressão de ser a sombra de outra pessoa. Como se vê, seria menos impactante dizer apenas que era um tipo grandalhão.
Por fim, suponho que escrever exige estilo. O estilo é a mão do temperamento sobre a natureza das coisas e dos homens. Sem temperamento, não há estilo. Sem paixão, não há estilo. Sem inspiração, não há estilo.
José Renato Ferraz da Silveira


Crônica Eros e Tânatos

Eros e Tânatos

Nas últimas semanas, delicio-me com a obra Amor e Amizade de Allan Bloom no qual o autor defende – de modo impactante - que vivemos num mundo em que o amor e a amizade estão a desvanecer.
Ainda de acordo com o autor, o individualismo e o igualitarismo transformaram as relações românticas em assuntos contratuais sujeitos a litígios. Perdeu-se aquilo que separa os seres humanos dos animais – o poder da imaginação, que consegue transformar o sexo em eros. O empobrecimento dos nossos sentimentos resulta, afinal, de um empobrecimento da linguagem do amor.
Amor e ódio, sexualidade e agressividade, vida e morte, são forças que coexistem dentro do ser humano e estão presentes no cotidiano, tanto nos conflitos mais banais quanto nos mais mórbidos ou sublimes da humanidade.
Encontramos no universo das peças de Shakespeare, nos romances de Stendhal, Jane Austin, Tolstoi, entre outros escritores que pertencem ao chamado cânone universal por Harold Bloom. Esses grandes livros descrevem os fenômenos do amor e do ódio, como também nos ajudam a experienciá-los. Parafraseando Bloom: “para mim, a literatura não é meramente a melhor parte da vida; é ela mesma a forma de vida, que não possui nenhuma outra forma”.
Como pontua  Allan Bloom: “os livros são expressões vivas de experiências profundas e, sem esses advogados conhecedores dessas experiências, acharíamos muito difícil aceder a questões que dependem tanto de um sentimento educado e para o qual a mera observação externa não é suficiente”.
O ódio e o amor, tais pares de opostos estão misturados, amalgamados em tudo que o ser humano faz, pensa e sente. Por exemplo, onde há amor deve haver ódio, toda sexualidade necessita de um grau de agressividade, em proporções variadas. Essas polaridades são os cernes dos conflitos psíquicos. Em psicanálise, elas podem ser nomeadas pelos conceitos de pulsão de vida (Eros) e pulsão de morte (Tânatos).
A mitologia apresenta uma bela metáfora para compreendermos a amálgama entre as pulsões. No mito grego, Eros (cupido na mitologia romana) é o deus do amor e Tânatos, deus da morte. Eros, o mais belo dos deuses, possui arco e flecha com os quais costuma enlaçar de amor homens, mulheres e deuses. Segundo consta na mitologia, certo dia Eros adormeceu numa caverna, embriagado por Hipno (deus do sono, irmão de Tânatos). Ao sonhar e relaxar suas flechas se espalharam pela caverna, misturando-se às flechas da morte. Ao acordar, Eros não sabia quantas flechas possuía. Recolheu-as, e sem querer levou algumas que pertenciam a Tânatos. Sendo assim, Eros passou a portar flechas de amor e morte (Tânatos). Dessa forma, apropriando dessa bela história da mitologia, o amor é da ordem do acaso. Não há uma estrutura lógica, o acaso está fora dela. E, sem dúvida, o amor afeta corpo e alma, nos afeta inteiramente. Até mesmo Eros foi vítima de seus ardilosos planos quando apaixonou-se perdidamente por Psique. Keats faz alusão a essa história, em sua Ode a Psique: 

Ó mais bela visão! Ó derradeira imagem
Da estirpe celestial, da olímpica linhagem!
Mais bela que Diana livre de seu véu
E que Vésper erguida entre os astros do céu!
Que, no Olimpo, pudeste reluzir e ofuscar
Embora sem um templo, embora sem altar!

O epistemológo Edgar Morin reconhece o amor como o ápice mais perfeito da loucura e da sabedoria, ou seja, que no amor, sabedoria e loucura não apenas são inseparáveis, mas se interpenetram mutuamente. O amor faz parte da poesia da vida. A poesia faz parte do amor da vida. Amor e poesia engendram-se mutuamente e podem identificar-se um com o outro.
O eros é irmão da poesia e os poetas escrevem sob a influência da paixão erótica ao mesmo tempo que informam os homens sobre o eros. Acredito que nunca se pode ter sexo sem imaginação, ao passo que se pode ter fome e comer sem qualquer contribuição da imaginação.

Portanto, se o amor expressa o ápice supremo da sabedoria e da loucura, é preciso assumir o amor. “Se verdadeiramente amo alguém, escreveu Erich Fromm, “então amo a todos, amo o mundo, amo a vida”.