terça-feira, 8 de março de 2011

Ultradireitista Le Pen lidera mais uma pesquisa na França

Ultradireitista Le Pen lidera mais uma pesquisa na França

DA FRANCE PRESSE, EM PARIS
A candidata da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, de extrema direita, lidera uma nova pesquisa para o primeiro turno das eleições presidenciais de 2012 na França, à frente do atual presidente, Nicolas Sarkozy, e do socialista Dominique Strauss Kahn.
Le Pen tem 24% das intenções de voto, um ponto percentual a mais que Strauss Kahn (atual diretor do Fundo Monetário Internacional) e três acima de Sarkozy.
A pesquisa foi realizada pelo instituto Harris Interactive, que já havia divulgado uma sondagem com resultado similar no fim de semana.
Caso o resultado seja confirmado nas urnas, Sarkozy, que venceu a eleição de maio de 2007 com mais de 53% dos votos, ficaria de fora do segundo turno.
Isto repetiria o cenário de "catástrofe" de 21 de abril de 2002, quando Jean Marie Le Pen - pai de Marine Le Pen e fundador da FN - deixou o socialista Lionel Jospin de fora do segundo turno.
Na ocasião, o então presidente Jacques Chirac venceu a eleição no segundo turno contra Len Pen.

Gaddafi trabalha em acordo para deixar o poder e o país, diz CNN

Gaddafi trabalha em acordo para deixar o poder e o país, diz CNN

DE SÃO PAULO
O ditador líbio, Muammar Gaddafi, está trabalhando em um acordo para deixar o governo após 41 anos e para isso quer que os rebeldes da oposição garantam passagem segura para fora do país e que nem ele, nem sua família, sejam processados, informa a rede de TV americana CNN. Os rebeldes de oposição, que controlam o leste do país, rechaçaram a oferta.
Gaddafi teria proposto um encontro do Parlamento líbio para acordar os termos da transição e os passos para sua renúncia. Segundo a TV Al Jazeera, os termos do ditador incluem ainda uma boa quantia em dinheiro.
O ditador teria inclusive enviado o ex-premiê Jadallah Azzouz Talhi para se reunir com os rebeldes e trabalhar na versão final de um acordo, pelo qual ele entregaria o poder a um comitê formado pelo Congresso Geral do Povo.
O governo de Trípoli não confirmou a informação.
A proposta, contudo, já teria sido rejeitada pelo Conselho Nacional de Transição, órgão criado por parte dos rebeldes de oposição em Benghazi. Eles alegam que uma saída "honrosa" de Gaddafi ofenderia as vítimas da violência de suas forças.
Os rebeldes ofereceram, contudo, várias contrapropostas. Entre elas, que Gaddafi assuma imediatamente que não é o líder da Líbia, segundo Amal Bugaigis, membro do opositor Coalizão 17 de Fevereiro, citado pela CNN.
"Acho que houve uma tentativa da gente de Gaddafi [de negociar] com o Conselho Nacional. Foi rechaçado", confirmou Mustafá Gheriani, responsável pelas relaçoes com a imprensa. "Não vamos negociar com ele. Ele sabe onde está o aeroporto de Trípoli e o que tem que fazer é ir embora e por fim ao banho de sangue".
PRESSÃO
A notícia de um possível acordo chega após um dia de grande escalada na pressão internacional. A Casa Branca afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos estudam, entre as muitas opções para lidar com a crise naquele país, armar os rebeldes que lutam contra forças leais a Gaddafi.
A afirmação foi feita após o presidente norte-americano, Barack Obama, e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) terem reconhecido com cautela, em mais um dia de intensos e violentos confrontos, que uma intervenção militar no país do norte da África não está descartada.
Obama havia advertido aos seguidores do ditador líbio que eles responderão por seus atos e pelo uso da violência contra os rebeldes no país.
"Quero dizer àqueles próximos [a Gaddafi] que depende deles tomar a decisão sobre como querem agir daqui por diante", assinalou Obama na Casa Branca, onde se reuniu com a primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard. "Terão de prestar contas por qualquer ato de violência que ocorrer."
Obama disse ainda que a Otan deve se reunir em Bruxelas para discutir uma reação à violência na Líbia, incluindo incursões militares.
"Enquanto isso, temos a Otan, com quem falamos, que está consultando em Bruxelas o amplo leque de potenciais opções, incluindo potenciais ações militares, como resposta à violência que continua acontecendo na Líbia", explicou Obama.
Na frente europeia, o Reino Unido confirmou que prepara um projeto de resolução na ONU (Organização das Nações Unidas) sobre uma zona de exclusão aérea no território líbio. O projeto, que conta com apoio da França, Liga Árabe, e Estados Unidos, é rejeitado pela Rússia --que tem poder de veto no Conselho de Segurança.
A zona de exclusão é um pedido doa próprios rebeldes para conter os bombardeios das Forças Aéreas de Gaddafi.
Enquanto uma decisão não é tomada, o embaixador americano na Otan, Ivo Daalder, disse que a aliança ocidental já havia concordado em aumentar a vigilância aérea da Líbia com aviões para 24 horas por dia, dando aos planejadores militares uma visão detalhada do terreno enquanto forças pró-Gaddafi entram em sangrentos conflitos com os rebeldes.
Anteriormente, a vigilância era feita por cerca de 10 horas por dia. Um porta-voz do Pentágono afirmou que nenhuma aeronave americana está envolvida na missão.
A Otan já realizou duas missões de exclusão aérea na década de 1990, uma durante a guerra da Bósnia-Herzegovina e outra no conflito do Kosovo.

Capítulo IV Baldassare Castiglione e as mulheres do Renascimento

Capítulo IV Baldassare Castiglione e as mulheres do Renascimento

Edith Sichel

1) O Renascimento marcou época para as mulheres; deu-lhes novo campo e nova importância. Seu apelo à beleza, seus rápidos desenvolvimentos sociais, as energias emocionais e as diversas atividades que envolvia correspondiam particularmente às faculdades femininas.
2) Elas dançavam, cantavam, comandavam tropas, liam Virgilio, Cícero e filosofia grega, criavam grandes famílias, escreviam trabalhos, projetavam vestidos, governavam províncias. Eram brilhantemente eficientes; foram longe, mas não se aprofundaram.
3) Os mais nobres propósitos da vida lhes estavam vedados; sua religião era assunto de observância e etiqueta. As mulheres de um país são em grande medida os índices de sua fé;
4) Vitoria Colonna, com seu fervor espiritual, sua tristeza persistente pelo marido morto, sua profunda afeição por Miguel Ângelo foi a exceção, e se destaca em comparação com as outras.
5) Havia Emília Pia – vida e luz da corte de Urbino, “amante e cabeça de toda a companhia, de forma que todos os homens recebiam dela compreensão e estímulo – “Madona Emília, que, enquanto morria, recitava passagens do Cortesão, registro de sua feliz mocidade.
6) Havia Júlia Gonzaga e a veneziana Verônica Gambara, ativas deusas de um ousado círculo intelectual. Marieta Strozzi, com o nariz arrebitado e os olhos dançantes; que aos dezoito anos escapou aos tutores, indo viver sozinha, e jogava partidas de bola de neve ao luar com todos os galãs de Florença. Olímpia Morata, que aos dezesseis anos lecionava filosofia em Ferrara e brilhava igualmente como crítica de poetas e tradutora da Bíblia.
7) Isabella d´Este, esposa de Francesco Gonzaga, Duque de Mântua: a primeira dama do mundo e em sua cunhada, Elisabetta Gonzaga, esposa do Duque Guidobaldo de Urbino.
8) Castiglione foi o paladino das mulheres, e seu livro talvez seja a primeira afirmação autoconsciente de suas reivindicações, das desgastadas perguntas sobre o que a mulher deveria ser, se deveria fiar ou pensar, qual a sua verdadeira relação com o homem.