quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Jobim pede que América do Sul se una na área da Defesa

DA ANSA, EM MONTEVIDÉU

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, declarou que a América do Sul deve aprofundar suas relações no âmbito da Defesa, para que a região "tenha uma única voz" diante do mundo.
Em coletiva de imprensa em Montevidéu, no Uruguai, Jobim explicou que o Brasil pretende formar uma indústria de defesa regional, com investimentos estatais. Segundo ele, essa iniciativa não busca dar início a uma corrida armamentista, e sim "recuperar o tempo perdido".
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"Existe uma necessidade na região de capacidade operativa", disse o ministro, mencionando a falta de controle do Atlântico e do espaço aéreo regional.
"Em 2025, será imposto o controle dos espaços aéreos através de satélites, e não com radares [como acontece agora], e é necessário ter capacidade para poder assumir esse controle. São pontos que temos de decidir juntos, para termos uma maior capacidade de escala."
Jobim ainda apontou que os principais aspectos a serem protegidos devem ser os recursos naturais, como a água, a produção de alimentos e a energia.
Participaram da coletiva o presidente uruguaio, José Mujica, o ministro de Defesa uruguaio, Luis Rosadilla, e o chanceler Luis Almagro.
Rosadilla, por sua vez, ressaltou a vantagens estratégicas que o Uruguai possui, como a produção de alimentos. Ele também mencionou a intenção de ambos países na possível instalação de um parque industrial em território uruguaio para a fabricação de peças de aviões militares.
Defesa prevê corte de cerca de 26,5% no Orçamento para 2011

MÁRIO SÉRGIO LIMA
DE BRASÍLIA

O Orçamento do Ministério da Defesa vai sofrer um corte de 26,5% nas despesas referentes a custeio e investimento, informou nesta terça-feira (15) a assessoria do Ministério da Fazenda. De acordo com a pasta, o corte no Orçamento de 2011 será de R$ 4,024 bilhões.
Mais cedo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, havia informado que o contingenciamento atingiria 36% das despesas do tipo. Ele também afirmou que sobrariam R$ 6,9 bilhões, além de mais R$ 4,8 bilhões de despesas que não podem ser cortadas, para seu Ministério --informação retificada pela assessoria.
Segundo Jobim, sobrará para a pasta em 2011 um volume de R$ 6,9 bilhões para "distribuir entre manutenção operativa e projetos".
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"Agora eu tenho de trabalhar na distribuição de valores. Depois preciso verificar o número consolidado, que sairá hoje à tarde, daí chamo as Forças e vou distribuir esses valores entre elas e vou baixar numa portaria determinando o que terá de ser suspenso ou paralisado", afirmou após reunião no Ministério da Fazenda com Guido Mantega e Miriam Belchior (Planejamento).
Em 2011, o orçamento para despesas de custeio e investimento é de R$ 15,1 bilhões (de um orçamento global, que inclui despesas com pessoal e encargos sociais, de mais de R$ 60 bilhões). Desse total, contudo, somente cerca de R$ 10,5 bilhões a R$ 11 bilhões é que poderiam ser contingenciados.
De acordo com Jobim, o corte poderá afetar operações, como as incorporações de militares. "A média de incorporações que estavam sendo feitas era de 70 mil, então podemos ter uma redução", afirmou.
Ele evitou reclamar do volume do corte. "A gente não pode achar coisa alguma. Tem de entender as condições econômicas. Evidentemente, o que eu vou fazer, estabelecido quais são os cortes, eventuais negociações que possam ser feitas, de prorrogações de prazos de pagamento de alguns contratos e depois estabelecer quais são as consequências."
O ministro, contudo, desvinculou a questão da compra dos caças de possíveis cortes no Orçamento.
"Não tem decisão ainda sobre os caças. De uma forma ou de outra, não teria ainda nada neste ano, porque a questão tem uma liturgia: a presidente toma uma decisão e tem de mandar para o Conselho de Defesa Nacional. Só depois da decisão do Conselho é que vem a decisão da presidente. Aí teria de sentar a Força Aérea com a empresa escolhida para discutir contratos. E essa discussão leva no mínimo um ano.".
Jobim afirmou que a decisão sobre qual aeronave será escolhida deve sair neste ano. O que não ocorrerá em 2011, em razão da discussão dos contratos, é a despesa orçamentária para a compra dos caças.
Brasil diz para França que negócio dos caças vai demorar meses

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, recebeu nesta terça-feira a titular de Exteriores da França, Michèle Alliot-Marie, a quem ratificou que a decisão sobre a compra de caças demorará alguns meses.
Na negociação para a compra de 36 caças-bombardeiros para a FAB (Força Aérea Brasileira) concorrem os aviões Rafale, da empresa francesa Dassault, os Super Hornet F/A-18, da americana Boeing, e os Gripen NG, da sueca Saab.
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Conforme fontes do Ministério da Defesa, esse foi um dos assuntos tratados nesta terça-feira por Michèle com Jobim, que explicou que, pelos cortes orçamentários anunciados neste mês pelo governo Dilma Rousseff, a operação ficou suspensa.
O orçamento de Defesa para despesas de custeio e investimento deste ano era de R$ 15 bilhões, mas com os cortes ficará em R$ 11 bilhões, por isso que todas as aquisições de material militar serão revisadas.
No caso dos caças, a operação não foi cancelada, mas ficará suspensa.
A ministra francesa reafirmou o interesse de seu país na venda dos Rafale, que eram supostamente os preferidos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que entregou o cargo para Dilma no dia 1º de janeiro.
Durante seu encontro com Jobim, Michèle considerou que a área de defesa é "o coração da sociedade estratégica" entre Brasil e França, que foi selada por Lula e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, no dia 7 de setembro de 2009.
Na reunião em Brasília, Lula e Sarkozy chegaram a anunciar a decisão de transformar o Brasil e a França em "parceiros estratégicos no domínio aeronáutico".
Também, durante essa visita de Sarkozy, o governo brasileiro informou sua disposição para "iniciar negociações" para a compra dos aviões franceses, embora depois esclarecesse que essa oferta era válida também para Boeing e Saab e que a licitação continuava aberta, como está até hoje.
A decisão final sobre o assunto, segundo o governo, será tomada por Dilma e pelos membros do Conselho de Defesa Nacional, que integram representantes de diversos ministérios.