segunda-feira, 30 de maio de 2011

Britânicos usarão bombas de uma tonelada para atacar Gaddafi

DA REUTERS, EM TRIPOLI

O Reino Unido vai acrescentar as chamadas bombas "bunker-busting" ao arsenal que os seus aviões estão usando sobre a Líbia. A arma, conforme foi dito neste domingo, enviaria uma mensagem clara a Muammar Gaddafi de que é hora de desistir.
As "bunker-bustings" (destruidora de edificações, numa tradução literal) pesam uma tonelada cada uma e podem penetrar no interior de prédios. Elas já teriam chegado na base italiana de onde os aviões britânicos partem para a Líbia.
Os britânicos e outros países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) intensificam a ação militar contra a Líbia para tentar terminar com o impasse atual, pelo qual Gaddafi se mantém no poder apesar de semanas de ataques aéreos e ações de rebeldes.
"Não estamos tentando atingir fisicamente pessoas do círculo de Gaddafi, mas estamos enviando mensagens cada vez mais claras", disse em comunicado o ministro da Defesa britânico, Liam Fox.
"Gaddafi pode não ser capaz de ouvir, mas os que estão em volta dele podem ser sábios o suficiente para isso", afirmou.
A aliança militar diz que atua sob mandato das Nações Unidas para proteger civis de ataques das forças de segurança de Gaddafi. No entanto, as táticas mais agressivas podem causar divisões na coalizão e também acabar empurrando a Otan para algo próximo a uma intervenção terrestre, algo que ela busca evitar.
FORÇAS ESTRANGEIRAS?
A rede de TV Al Jazeera transmitiu imagens do que, segundo ela, eram forças estrangeiras, possivelmente britânicas, perto da cidade de Misrata, reduto rebelde na Líbia. Os homens estavam armados, com óculos escuros e cobriam a cabeça ao estilo árabe.
Para intensificar os ataques, britânicos e franceses disseram que usarão helicópteros, que, no entanto, são mais vulneráveis a artilharia terrestre do que os aviões.
Gaddafi nega que ataca civis e diz que a intervenção da Otan é uma agressão colonial para capturar o petróleo líbio.
Jacob Zuma, líder sul-africano, é esperado em Tripoli nesta segunda-feira, sua segunda visita desde que o conflito começou, para tentar um acordo de cessar-fogo. Ele negocia em nome da União Africana.
Falta de pessoal em solo dificulta ataques na Líbia, diz piloto francês

RICARDO BONALUME NETO
DE SÃO PAULO

Um piloto de caça francês com experiência de combate nos Balcãs e no Afeganistão apontou a dificuldade básica das operações aéreas da Otan na Líbia: a falta de pessoal em terra para prover inteligência e a segura identificação dos alvos. "Jogar uma bomba é fácil; difícil é identificar o alvo correto", afirma o major Nicolas Lyautey, da Força Aérea Francesa.
Para Lyautey, em missões como a no Afeganistão e na Líbia, o objetivo principal é proteger a população, não destruir o inimigo. É exatamente essa a estratégia fundamental de contra-insurgência que voltou a ser pregada pelas forças armadas americanas no Iraque e Afeganistão.
Coincidentementre, o piloto francês é um parente distante de um dos mais famosos especialistas franceses em guerra contra guerrilha, o general Louis Hubert Lyautey (1854-1934), famoso pela "pacificação" de colônias africanas da França.
O major Lyautey pilotou o caça-bombardeiro ango-francês Jaguar sobre a região de Kosovo, nos Balcãs, em vinte missões de reconhecimento em 2004. E fez dois turnos de combate no Afeganistão, em 2008 e 2009, durante os quais voou 47 missões operacionais no caça Rafale, um dos que participa da concorrência brasileira para um novo avião de combate.
Segundo Lyautey, em 90% das missões os pilotos no Afeganistão não empregam seu armamento de bombas e canhões. A ênfase da Otan é em missões "progressivas": os pilotos voam para "marcar presença" em demonstrações de força; podem sobrevoar o alvo ameaçadoramente; fazem disparos de alerta; e só então, com autorização do centro de controle tático em terra, podem empregar as armas contra o alvo. O centro reúne todas as informações coletadas por aviões, pessoal de terra e aeronaves não tripuladas.
"Como você faz para identificar se um grupo de pessoas é composto ou não de Talebans?", pergunta o piloto, membro do Esquadrão 1/7 "Provence", sediado na Base Aérea de St. Dizier. Ele veio ao Brasil para fazer palestra durante o evento de aniversário de 10 Anos da revista especializada em aviação "Asas".
Lyautey é um expert na operação do Rafale; foi um dos pilotos escolhidos para compor o grupo inicial de conversão para o novo caça, e hoje participa do grupo que desenvolve uma nova versão de uma bomba inteligente capaz de atingir o alvo com margem de erro de apenas um metro.
"Como fazer para acertar um tanque colocado em uma área urbana? Armamento desse tipo é fundamental para não causar danos à população em torno. A arma de precisão é compulsória", diz o piloto.
A bomba inteligente, que já existe em outras versões e está sendo usada na Líbia, é conhecida pela sigla em francês AASM ("Armement Air-Sol Modulaire") ou Hammer ("martelo", em inglês, um nome criado para alavancar exportações). Para obter maior precisão, a ideia é combinar diferentes sistemas de guiagem, com designação do alvo por laser e por GPS.
Os Rafale foram baseados na base área de Kandahar, no Afeganistão, cuja única pista ainda detém o recorde mundial de pista com a maior atividade aérea do planeta. A base abriga 30 mil pessoas.
Na Líbia, os Rafale estão sendo empregados em missões de defesa aérea contra os aviões do ditador líbio, em operações de bombardeio e de reconhecimento.
Na Itália, candidata de Berlusconi perde prefeitura de Milão

DA FRANCE PRESSE, EM ROMA
A direita italiana de Silvio Berlusconi perdeu a prefeitura de Milão (norte), reduto eleitoral do chefe de governo, e foi derrotada em Nápoles (sul), no segundo turno das eleições municipais, segundo as primeiras estimativas.
O candidato da esquerda, Giuliano Pisapia, teria obtido 53,5% dos votos e a atual prefeita de Milão, Letizia Moratti, 46,5%, segundo as estimativas do IPR Marketing para a Rádio e Televisão Italiana (RAI).
Há 15 dias, no primeiro turno, o advogado Pisapia, um ex-comunista apoiado pela centro-ezquerda, conseguiu superar a prefeita por quase seis pontos, com 48% dos votos, contra 41,6% de Moratti.
Milão, a capital econômica da Itália, é a cidade natal e há 18 anos reduto eleitoral da direita de Berlusconi, assim como a sede de seu império midiático Fininvest.
Em Nápoles, a direita liderada pelo empresário Gianni Lettieri enfrentou o ex-juiz Luigi de Magistris, que se beneficia ao que parece dos votos do outro candidato de oposição, eliminado no primeiro turno, e recebeu 61% dos votos contra 39% do rival, segundo as estimativas do IPR Marketing.
Caso sejam confirmados os resultados, Berlusconi sofreria um duro revés eleitoral pelo descontentamento dos eleitores históricos de Milão.
Mais de 6,5 milhões de eleitores estavam registrados para eleger os prefeitos de 88 municípios e os presidentes de seis províncias.