Obama pede acordo sobre o orçamento a líderes do Congresso
DA EFE, EM WASHINGTON
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se mostrou neste sábado disposto a estudar qualquer proposta séria para reduzir o deficit, mas incentivou os líderes do Congresso a obter um acordo sobre o financiamento do governo para evitar seu fechamento.
"Na próxima semana, o Congresso se centrará no orçamento temporário. Pelo bem dos nossos cidadãos e da nossa economia, não podemos permitir que esta paralisação prevaleça", afirmou em seu tradicional pronunciamento dos sábados.
"Tanto os líderes democratas como os republicanos no Senado e na Câmara de Representantes disseram que consideram importante que o governo possa seguir funcionando enquanto tentam chegar a um acordo sobre um plano para reduzir nosso deficit a longo prazo", lembrou aos legisladores.
Por isso, Obama incentivou-os a encontrar um "terreno comum" para que o país possa progredir e não impeça o crescimento econômico.
"Não será fácil. Haverá muito debate, desacordos e nenhum partido conseguirá tudo o que quer; as duas partes têm que ceder", assinalou Obama, ressaltando que não quer que o Congresso corte os investimentos em educação, inovação e infraestrutura, porque são absolutamente necessários para uma economia competitiva.
À meia-noite da próxima sexta-feira vencerá uma medida aprovada para financiar temporariamente as operações do governo federal. Se republicanos e democratas não conseguirem aprovar pelo menos uma medida temporária, o Executivo terá que fechar por falta de dinheiro.
O último fechamento das agências federais ocorreu durante o mandato de Bill Clinton, por dois dias em novembro de 1995, e depois por outros 21 dias até janeiro de 1996.
A iminente ameaça de fechamento do governo federal parecia preocupar na sexta-feira os republicanos, que controlam a Câmara de Representantes e na sexta-feira propuseram uma medida temporária que os democratas podem aceitar.
A medida permitiria ao governo dos EUA seguir operando durante mais duas semanas, até 18 de março.
A ideia é dar tempo para que republicanos e democratas, que são maioria no Senado, possam chegar a um acordo sobre o financiamento do governo até 30 de setembro -- o restante do ano fiscal -- e evitar seu fechamento.
O problema é que em fevereiro a Câmara de Representantes aprovou a diminuição de US$ 61 bilhões nos gastos públicos para os próximos sete meses, em corte que afeta as áreas que Obama considera imprescindíveis fomentar.
Os democratas rejeitam a redução ao considerá-la exageradamente severa e pretendem alcançar um compromisso com os republicanos. O Senado terá que redigir sua própria versão.
A anterior sessão legislativa nunca aprovou o orçamento para este ano fiscal, que começou em outubro, pelo que os cortes foram realizados dentro de uma medida aprovada para financiar temporariamente -- até 4 de março -- as operações do governo
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sábado, 26 de fevereiro de 2011
Brasileiro na Líbia diz que manifestantes "subjugaram" o Exército
RODRIGO VIZEU
DE SÃO PAULO
O engenheiro civil paraense Valdir Acatauassú, funcionário da Queiroz Galvão, contou que quando chegou a Benghazi, no domingo, viu o Exército líbio "totalmente subjugado".
"A população subiu nos tanques, pegou os lança-mísseis e ficou desfilando pela cidade, mostrando as máquinas como troféus", afirmou.
Ele disse que percebeu um clima de "expectativa" em relação a uma possível reação de Gaddafi, mas contou que preferiu "se trancar" no hotel com colegas estrangeiros a conversar com os líbios.
"Não devemos nos meter nisso, viemos aqui para trabalhar, não para se meter em problemas locais", disse.
O engenheiro falou com a Folha nesta sexta-feira (25) por telefone, já à bordo do navio que o levaria à Grécia. Em seguida, deve voltar ao Brasil.
Acatauassú morava na Líbia desde outubro de 2009 e deixou para trás uma casa montada que mantinha com cinco colegas em Ad Dirsiyah, 110 km a leste de Benghazi. Disse não ter a menor ideia se voltará à Líbia.
Ele afirmou que não houve conflitos na cidade em que morava, mas afirmou que desde o dia 17 soube das revoltas contra Gaddafi por colegas em Benghazi.
RODRIGO VIZEU
DE SÃO PAULO
O engenheiro civil paraense Valdir Acatauassú, funcionário da Queiroz Galvão, contou que quando chegou a Benghazi, no domingo, viu o Exército líbio "totalmente subjugado".
"A população subiu nos tanques, pegou os lança-mísseis e ficou desfilando pela cidade, mostrando as máquinas como troféus", afirmou.
Ele disse que percebeu um clima de "expectativa" em relação a uma possível reação de Gaddafi, mas contou que preferiu "se trancar" no hotel com colegas estrangeiros a conversar com os líbios.
"Não devemos nos meter nisso, viemos aqui para trabalhar, não para se meter em problemas locais", disse.
O engenheiro falou com a Folha nesta sexta-feira (25) por telefone, já à bordo do navio que o levaria à Grécia. Em seguida, deve voltar ao Brasil.
Acatauassú morava na Líbia desde outubro de 2009 e deixou para trás uma casa montada que mantinha com cinco colegas em Ad Dirsiyah, 110 km a leste de Benghazi. Disse não ter a menor ideia se voltará à Líbia.
Ele afirmou que não houve conflitos na cidade em que morava, mas afirmou que desde o dia 17 soube das revoltas contra Gaddafi por colegas em Benghazi.
Cuba assiste ressabiada a rebeliões no Oriente Médio
FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS
A julgar pela cobertura da mídia oficial cubana, o regime dos Castro segue atento e reporta com cautela a queda dos governos autocráticos no Oriente Médio, menos longevos que o de Havana.
No plano geral, quem pauta o tom é o ex-ditador Fidel Castro em suas "reflexões", publicadas nos jornais oficiais e debatidas na TV.
A abordagem preferencial é o papel dos EUA no xadrez. No caso da Líbia, do aliado Muammar Gaddafi, a cobertura tomou viés pró-ditador.
""Ruas da Líbia voltam à calma", diz a TV cubana. É isso mesmo?", se perguntava no Twitter na quarta-feira a blogueira crítica do governo Yoani Sánchez.
No mundo dos blogs e sites de discussão dentro e fora da ilha, a pergunta é outra: se acontece na Tunísia e no Egito, por que não em Cuba?
A questão foi parar até no oficial Cubadebate, que publica as reflexões de Fidel.
O site reproduziu texto do argentino "Página 12" sobre o papel da internet nas revoltas. O autor, Pascual Calicchio, nem ensaia responder por que Havana não está na fila do dominó.
Frisa apenas como é pequeno o grupo de ciberdissidentes na ilha - ainda que não cite que a questão de base, antes de qualquer outra, é quão reduzido é o número de conectados à internet em Cuba (apenas 3% de 11 milhões de habitantes, a taxa mais baixa do Ocidente).
Pequena ou não, Havana já deu mostras de preocupação com o grupo. Em meados deste mês, apareceu na internet um vídeo no qual um "consultor" de informática do governo alertava sobre os perigos de uma "revolução colorida" versão digital, citando movimentos pró-Ocidente no Leste Europeu.
O ponto do autor, seguindo o "twittercético" e sociólogo Malcolm Gladwell, é dizer que nada surge da internet se não há "laços fortes" o suficiente para mobilizar os cidadãos de carne e osso.
Estudiosos de Cuba argumentam, de todas as maneiras, que a internet maciça seria uma plataforma horizontal na verticalizada e atomizada sociedade civil.
DIFERENÇAS
Isolando o fator Facebook/Twitter, a discussão segue nos seguintes termos: 1) ninguém pode prever quando um estopim como o do jovem imolado na Tunísia pode acontecer; 2) há muitos aspectos incomparáveis com os de Egito ou Tunísia.
A começar por Miami. O exílio americano, facilitado pelas regras migratórias de Washington, funciona há décadas como válvula de escape para o regime. É ao mesmo tempo descompressão política e demográfica.
O impacto da migração, aliado a outros fatores, na pirâmide etária de Cuba é tal que a população está encolhendo.
A fuga dos insatisfeitos economiza a maquinaria de repressão da ilha.
Os analistas enumeram outros fatores: por exemplo, a ainda moderada desigualdade na sociedade cubana.
FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS
A julgar pela cobertura da mídia oficial cubana, o regime dos Castro segue atento e reporta com cautela a queda dos governos autocráticos no Oriente Médio, menos longevos que o de Havana.
No plano geral, quem pauta o tom é o ex-ditador Fidel Castro em suas "reflexões", publicadas nos jornais oficiais e debatidas na TV.
A abordagem preferencial é o papel dos EUA no xadrez. No caso da Líbia, do aliado Muammar Gaddafi, a cobertura tomou viés pró-ditador.
""Ruas da Líbia voltam à calma", diz a TV cubana. É isso mesmo?", se perguntava no Twitter na quarta-feira a blogueira crítica do governo Yoani Sánchez.
No mundo dos blogs e sites de discussão dentro e fora da ilha, a pergunta é outra: se acontece na Tunísia e no Egito, por que não em Cuba?
A questão foi parar até no oficial Cubadebate, que publica as reflexões de Fidel.
O site reproduziu texto do argentino "Página 12" sobre o papel da internet nas revoltas. O autor, Pascual Calicchio, nem ensaia responder por que Havana não está na fila do dominó.
Frisa apenas como é pequeno o grupo de ciberdissidentes na ilha - ainda que não cite que a questão de base, antes de qualquer outra, é quão reduzido é o número de conectados à internet em Cuba (apenas 3% de 11 milhões de habitantes, a taxa mais baixa do Ocidente).
Pequena ou não, Havana já deu mostras de preocupação com o grupo. Em meados deste mês, apareceu na internet um vídeo no qual um "consultor" de informática do governo alertava sobre os perigos de uma "revolução colorida" versão digital, citando movimentos pró-Ocidente no Leste Europeu.
O ponto do autor, seguindo o "twittercético" e sociólogo Malcolm Gladwell, é dizer que nada surge da internet se não há "laços fortes" o suficiente para mobilizar os cidadãos de carne e osso.
Estudiosos de Cuba argumentam, de todas as maneiras, que a internet maciça seria uma plataforma horizontal na verticalizada e atomizada sociedade civil.
DIFERENÇAS
Isolando o fator Facebook/Twitter, a discussão segue nos seguintes termos: 1) ninguém pode prever quando um estopim como o do jovem imolado na Tunísia pode acontecer; 2) há muitos aspectos incomparáveis com os de Egito ou Tunísia.
A começar por Miami. O exílio americano, facilitado pelas regras migratórias de Washington, funciona há décadas como válvula de escape para o regime. É ao mesmo tempo descompressão política e demográfica.
O impacto da migração, aliado a outros fatores, na pirâmide etária de Cuba é tal que a população está encolhendo.
A fuga dos insatisfeitos economiza a maquinaria de repressão da ilha.
Os analistas enumeram outros fatores: por exemplo, a ainda moderada desigualdade na sociedade cubana.
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